Quem sou eu?
Boa pergunta esta. Mais irónico ainda é o facto de responder a ela sem ter resposta concreta.
Sou tanta coisa e ao mesmo tempo não sou coisa alguma!
Por mais que vá tentando nunca consigo ser uma só, o que sou esta semana por vezes é tão diferente do que fui na passada, e está a léguas de ser semelhante ao que serei daqui a uma ou outras tantas.
Pergunto-me porque não consigo eu manter uma ideia fixa em mim, nunca ter algo bem definido na cabeça.
Pergunto-me o que sou agora!
Já fui daquele género de pessoas que pouco querem saber dos outros, ou até de si mesmas!
Já fui aquela menina que acreditava nas pessoas, que se dava de corpo e alma, uma menina que não tinha em seu dicionário a palavra desilusão.
Mas quando essa menina conheceu o verdadeiro significado dessa palavra, não é que tenha deixado de se dar as pessoas, mas começou a cuidar melhor da forma como o fazia.
Não sou pessoa de extremos, aprendi demasiadamente bem que as pessoas mais cedo ao mais tarde, em grande parte das vezes acabam por ir embora.
É algo irrefutável, é como quando vemos as crianças na praia a agarrar na areia, se repararmos ela vai desaparecendo nas suas mãos quase sem elas darem conta, a pouco e pouco.
Perdi a capacidade de me “entregar” totalmente a algo, mesmo tendo um prémio irresistível, o risco é demasiadamente grande.
Foram as pessoas que me fizeram assim!
Tantas as que me fazem acreditar que o prémio vale por todas as outras coisas, e por apenas uma ou duas eu ter descoberto o outro lado das coisas deixo de acreditar.
Não tem lógica para algumas partes de mim, mas muita para quem eu penso que na realidade sou.
Há por quem valha a pena deixar-me levar, lá isso há, agora quem? E capacidade de conseguir?
Apesar de não parecer, sou uma pessoa bastante independente, dificilmente me habituo a depender das pessoas, eu só me trai-o a mim mesma se o quiser, já os outros não basta eu querer para se afastarem de mim, e eu acabar por me afastar de mim própria.
É difícil conseguir definir algo cuja definição é simplesmente indefinida.
Considero-me muito complicada para isso!
Os meus comportamentos conseguem quase sempre ser contrários ás minhas atitudes.
O que digo ou faço, nem sempre é o que penso, por mais frontal e sincera que seja.
Defino-me portanto como “uma pessoas”, alguém que sendo uma pessoa apenas, consegue ser várias, e nunca a mesma.
Se algum dia, alguém conseguir juntar todas essas pessoas numa, só descobre uma coisa. Descobre que dentro de mim não há nada demais por descobrir, só o acesso é que é extremamente difícil.
Sim porque eu apesar de tudo sou uma tremenda egoísta, não me conheço, não suporto o facto de não me perceberem, no entanto poucas vezes são aquelas em que me dou a conhecer.
